Wednesday, May 30, 2007

Lisboa perdeu 12 mil eleitores

Lisboa perdeu 12 mil eleitores desde 2005 - DiarioEconomico.com

O Norte de Lisboa (Lumiar, Ameixoeira e Carnide)n é o que mostra maior estabilidade no que toca à crescente desertificação no concelho de Lisboa.Artigo de hoje do Diario Económico por Rita Tavares
Lisboa perdeu 12 mil eleitores desde 2005A cidade que está novamente em disputa eleitoral mantém-se consistente na perda e no envelhecimento de eleitores. Desde 2005, foram sete mil os jovens que deixaram a capital do país.
Lisboa com menos gente, mais velha e sem hipótese à vista de vir a inverter este cenário negro. Passado apenas um ano e meio sobre as últimas autárquicas, a capital do país perdeu mais 12 mil eleitores, dos quais sete mil são jovens (com idades entre os 18 e os 29 anos). A descida é consistente.
Os dados disponibilizados ao Diário Económico pelo Direcção-Geral da Administração Interna (DGAI) foram fechados na semana passada – 60 dias antes da eleição em Lisboa – e mostram um “abaixamento consistente e constante” do número de eleitores inscritos na cidade. O director da Administração Eleitoral da DGAI, Jorge Miguéis, nota ainda que “quase metade dos eleitores de Lisboa têm mais de 50 anos”, enquanto que os mais jovens “engrossam o recenseamento da periferia”.
Não é de estranhar, por tudo isto, que os candidatos em Lisboa – hoje e sempre – apostem sobretudo em acções de campanha junto dos mais idosos. Veja-se o caso da corrente pré-campanha: Fernando Negrão é visita frequente de centros de dia, Telmo Correia já teve um encontro com idosos e António Costa apresentou recentemente um mandatário sénior, Raul Solnado – o homólogo da juventude (ainda) não existe.
É, de resto, o centro da cidade que mais se ressente com a desertificação, com as freguesias da Ameixoeira, Carnide e Lumiar a mostrarem maior consistência na manutenção de eleitores. Justificação? “Ainda há espaço para construir”, responde Jorge Miguéis. Nesta espécie de êxodo pesam, aliás, dois factores que andam a par: “O território é exíguo – a zona central não está a ser recuperada nem tem novos condomínios – e a habitação é muito dispendiosa no centro”.
A consequência é uma zona antiga envelhecida e a concentrar as freguesias mais pequenas da cidade. Os Mártires e a Madalena chegam mesmo a registar menos de 400 eleitores cada uma, juntando-se ao Castelo, Sacramento, Santa Justa e Santiago na lista de freguesias que têm menos de mil inscritos. Esta realidade não parece ter volta nos tempos mais próximos.
Na ponta oposta estão Benfica, Lumiar, Marvila, Santa Maria dos Olivais e São Domingos de Benfica. As cinco são as freguesias mais populosas e são quase sempre “determinantes na alteração dos comportamentos eleitorais”. Ou seja, nos minutos de angústia habituais da noite eleitoral, estas freguesias podem resolver – afinal representam 34% (mais de 177 mil pessoas) do eleitorado total de Lisboa (523.302 inscritos). As últimas autárquicas são disto reveladoras: três destas freguesias caíram para o PSD (Benfica, Lumiar e São Domingos de Benfica), as outras duas para o PS (Santa Maria dos Olivais e Marvila). O vencedor em Lisboa acabou por ser mesmo o PSD.
Fusão ou extinção de freguesias congeladasO Governo tem mantido na gaveta a proposta de extinção ou fusão de freguesias devido ao “potencial de nervosismo” que esta legislação pode acarretar, numa altura em que as negociações com os autarcas estão já muito desgastadas – saídas da difícil negociação da lei das Finanças Locais. Fonte do Executivo disse ao Diário Económico que esta reforma “não está considerada como prioritária” pela pasta (Administração Local) que está agora sob tutela directa do primeiro-ministro. A ideia inicial do Executivo era conseguir reorganizar o mapa de freguesias, a começar pelos maiores centros urbanos (Lisboa e Porto), pela fusão ou mesmo a extinção de algumas delas e pela atribuição de novas competências. À tomada desta decisão irão presidir critérios como o do número de eleitores inscritos e a qualidade urbana ou rural de cada uma das freguesias. Caso a proposta venha a ser aprovada, o Governo dará atenção imediata às freguesias que apresentem menos de 5 mil eleitores – no caso de Lisboa são agora 21.
Campanha das Intercalares
O apoio possível A ROSETA Manuel Alegre apresentou ontem em Lisboa o livro “Conseguir o Impossível” sobre a candidatura presidencial, em co-autoria com Helena Roseta. O apoio de Alegre à candidatura municipal de Roseta foi o possível. Esta foi a única forma de o “amigo” aparecer ao seu lado sem infringir os estatutos do Partido Socialista. “Os partidos estão arcaicos”, foi a crítica “possível” ao partido de que é militante. Alegre revelou ainda que o título do livro surgiu de uma conversa com Cavaco Silva em que este confessou que parecia “impossível” a candidatura” presidencial do poeta.
Negrão quer acordo contra OtaFernando Negrão defende a manutenção do aeroporto da Portela em Lisboa e vai, por isso, propor “um pacto” com todos os seus adversários nas eleições intercalares à capital. Segundo o candidato do PSD, será enderaçada ainda hoje uma carta a todos os candidatos para que “ainda antes das eleições haja um compromisso para o aeroporto da Portela se manter”. Numa visita ao centro de Saúde de Alcântara, Negrão aproveitou para dizer que acha importante conhecer a posição de António Costa, para perceber “se está do lado do Governo e contra Lisboa ou, definitivamente está do lado dos lisboetas”. Quando a Portela esgotar a capacidade “existem duas pistas prontas em Sintra e Montijo que podem colmatar as falhas”, concluiu.
Costa prefere outros problemas“Acho estranho que alguns candidatos queiram passar o tempo a discutir temas de política nacional, não faltam problemas na cidade para debater”. O “tema” que ‘incomoda’ António Costa é o do novo aeroporto de Lisboa que ontem voltou à pré-campanha por Fernando Negrão. Há menos de uma semana, numa acção de campanha no Príncipe Real, o candidato socialista mostrou-se aberto à discussão sobre o novo aeroporto de Lisboa, acrescentando ainda que “sobre essa questão o Governo deve ouvir toda a gente, incluindo a cidade”. Sem surpreender, Costa estará do lado do Governo, sem levantar novas questões. Apenas uma: quer criar um novo pulmão de Lisboa no espaço que o aeroporto da Portela deixar vago.
BE defende menos empresasO candidato do Bloco de Esquerda à Câmara de Lisboa, José Sá Fernandes, defendeu ontem a extinção e fusão de empresas municipais. Em visita às oficinas da Direcção Municipal de Serviços Eléctricos e Mecânicos nos Olivais, alertou para a necessidade de “conhecer bem a máquina da câmara”, antes de tomar decisões

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