A 25 de Novembro, não houve treino, os estúdios do Lumiar da RTP foram ocupados, e tropas tomaram posições nos terraços dos edifícios (onde está o Café Magriço) na Alameda das Linhas de Torres.
Uns militares de G3 a tiracolo entram pela famosa porta 10A do Sporting, e ordenam o apagamento das torres de iluminação do estadio, que servia aos diversos treinos que ali ocorriam.
E pronto, toca de fechar o Sporting porque aí estava a Guerra Civil à portuguesa.
Sem autocarros da Carris, meti-me a pé até casa. E à noite o tal filme do Danny Kaye emitido dos estúdios do Porto, depois de um militar para quedista ter interrompido a emissão.
Pelo caminho passei pela Escola Pratica de Administração Militar, hoje em dia polo universitário, e deparo-me com uma guarita toda demolida, com um camião de transporte de tropas Berliet Tramagal lá enfiado na parede.
Comentava-se que felizmente o soldado à guarda da porta de armas não se encontrava lá dentro. Tinha-lhe apetecido decerto fazer exercícios de marcação de passo de sentinela fora da guarita.
Um acidente inusitado no quartel, em data de revolução, ou contra revolução. Tal era a confusão dos dias de brasa.
Era dia 25 de Novembro de 1975.
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