Monday, October 22, 2007

Nova Casa da Secreta


Quem já não ouviu falar do Forte da Ameixoeira?O tal em cujos paióis eclodiu uma forte explosão, parece que, nos idos 50.Há cerca de 10 anos nalgumas ruas da Freguesia se abriu um filão nas calçadas, que estavam sendo fundamento para a colocação de uns cabos. Interroguei-me na altura para o que serviria. Uma placa junto à confluência da Comandante Fontoura da Costa com a Estrada do Desvio referia a construção de uma estrutura de comunicações “Ameixoeira / Grafanil” (este último nem sei precisar onde se situa realmente). Ora porque raio se fazia uma tirada de fibras ópticas entre uma edificação militar desactivada e para outro local não sei onde? E com tanto secretismo, tão deslocado no tempo ?!? Os próprios funcionários nem pareciam saber o que estavam a fazer ?!?A resposta pode estar na notícia que hoje saiu:O antigo forte da Ameixoeira vai ser a casa dos serviços secretos da Nação:
Jornal de Notícias - SIS vai ter casa segura por 15 milhões de euros
JN, artigo de Carlos Varela
SIS vai ter casa segura por 15 milhões de euros
Nova sede dos serviços secretos no forte da Ameixoeira vai albergar mais de mil funcionários
A nova sede do Serviço de Informações da República Portuguesa (SIRP) e do Serviço de Informações de Segurança (SIS) vai custar 15 milhões de euros e deverá ser inaugurado já em Janeiro, segundo apurou o JN.
O local é o antigo forte da Ameixoeira, em Lisboa, uma instalação militar que fazia parte do património do Ministério da Defesa e que foi transferido para a Presidência do Conselho de Ministros, para albergar o SIRP e o SIS. De fora fica o SIED (Serviço de Informações Estratégicas de Defesa), que vai manter-se no forte do Alto do Duque, no Restelo.
O novo edifício, que é uma adaptação do forte do século XIX às actuais necessidades das Informações, vai ter capacidade para albergar mais de mil funcionários, dos quais toda a estrutura de direcção superior do SIRP - que dirige quer o SIS quer o SIED - assim como os serviços de apoio comuns, uma resultante da última restruturação, e o próprio SIS, que deixa assim a Rua Alexandre Herculano, cujo edifício poderá ser alienado.
Ali também vai ficar instalada a Escola Nacional de Informações, uma infra-estrutura dependente do SIRP e destinada a dar formação aos dois serviços mas também às forças policiais, como já vem acontecendo.
A medida acaba por ser aplaudida pelo próprio Conselho de Fiscalização do SIRP, com Bacelar Gouveia, presidente do organismo, a entender, em declarações ao JN, que as actuais instalações do SIS, na Rua Alexandre Herculano, em Lisboa, "já não ofereciam condições de trabalho capazes. Um Estado de Direito deve fiscalizar o seu serviço de informações mas também lhe deve dar condições para ser eficiente".
A medida é, por isso, classificada como "um excelente passo", enquanto, por seu turno, Matos Gouveia, do Conselho Superior de Informações, em declarações ao JN, considera que as ainda actuais instalações do SIS na Rua Alexandre Herculano, "não têm uma localização adequada para um serviço de informações".
O porquê é algo que ninguém quer pormenorizar, mas a verdade é que há muitos anos que esse problema é sentido. "Nenhum serviço de informações tem instalações no centro de uma cidade. Isso é absurdo", apontou uma fonte ao JN.
É que, para um organismo que pretende, no mínimo, ser discreto o centro de uma grande cidade é o local menos indicado para trabalhar, pela facilidade na verificação de movimentações. Mas havia também um problema de espaço, uma vez que o edifício da Alexandre Herculano foi projectado para 60 operacionais, e actualmente já alberga bem mais do dobro.
Contratação de novos operacionais
A construção do novo edifício integra-se no programa de renovação dos serviços, que integra também a contratação de novos quadros operacionais a executar durante quatro anos. Os operacionais deverão assim chegar a um número de cerca de 800 funcionários, numa data mantida ainda sob reserva, reduzindo o racio entre o apoio e os operacionais, que em 2005 era da ordem dos 50 por cento.

Custos e tempo sem derrapagem
A opção pelo forte da Ameixoeira está associada à localização do antigo edifício militar, que ocupa uma área de 70 mil metros quadrados. Nova sede do SIRP e do SIS vai ter uma importante área de segurança à sua volta, e há a garantia de que não é possível visionar o interior das instalações a partir de um edifício civil. A finalização das obras em Janeiro está de acordo com o planeado e não vai haver também derrapagem financeira nos custos.

Enfrentar o terrorismo e a xenofobia
A aposta do Governo nas Informações está associada à necessidade de dar uma resposta mais eficiente à realidade do terrorismo, nas suas várias vertentes, assim como aos fenómenos de xenofobia e de criminalidade violenta e organizada.

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