Friday, April 13, 2007

Praça no Insuflável

Comerciantes do mercado do Lumiar transferidos para tenda insuflávelOs comerciantes do mercado do Lumiar, em Lisboa, foram transferidos temporariamente para um pavilhão insuflável devido à construção do viaduto do Eixo Norte/Sul, que consideram ter melhores condições que a antiga praça, já degradada Imprimir Enviar por mail
Situado entre o mercado do Lumiar e a Avenida Padre Cruz, o pavilhão insuflável acolherá até Agosto os comerciantes por questões de segurança devido à construção do viaduto, disse à agência Lusa o vereador da Câmara de Lisboa com o pelouro dos Mercados Municipais, Paulo Moreira, durante uma visita ao local.
O viaduto, obra a cargo das Estradas de Portugal (EP), passa por cima do mercado do Lumiar e existia o risco de poder ocorrer algum acidente durante as obras, explicou o autarca.
Paulo Moreira adiantou que, de início, os comerciantes mostraram alguma resistência por irem instalar-se numa tenda, o que aconteceu no dia 02, mas garantiu que agora estão satisfeitos.
«No início houve muitas queixas, mas agora estão a gostar porque estão muito bem instalados», disse o autarca, salientando que a área da tenda é idêntica à do mercado, mas tem «melhores condições».
Proprietária de uma pequena loja de artigos de louça no interior do mercado, Maria Fernanda disse à Lusa estar contente no novo espaço.
«Ao princípio estava um bocadinho preocupada, mas agora estou satisfeita», adiantou a comerciante, acrescentando que a clientela se manteve.
Segundo Maria Fernanda, os clientes gostam do novo espaço, que tem «melhores condições e mais higiene» que o antigo mercado.
Esta opinião é partilhada por Sandra, que tem uma bancada de peixe: «Está a correr tudo bem, estamos a gostar. O frio é que é pior», sublinhou.
No mercado do Lumiar há 33 anos, Maria de Lurdes queixa-se que o negócio está fraco, atribuindo esta situação à pouca divulgação do mercado, aos maus acessos ao pavilhão e à falta de estacionamento.
«Não estamos a vender praticamente nada. É preciso tempo de adaptação para que os clientes venham conhecer o mercado», justificou, adiantando que está «a sentir a falta das pessoas».
«Há arestas a limar que são os acessos para as traseiras do mercado e o estacionamento», afirmou a comerciante, sublinhando que «as grandes superfícies têm todas as condições e os clientes não se sujeitam a estes pequenos sacrifícios».
Maria de Lurdes defendeu ainda que tinha ficado mais barato à Câmara de Lisboa fazer um mercado de raiz com mais condições do que estar a ter gastos com uma solução provisória.
O vereador explicou que o custo das instalações provisórias é suportado pela empresa que está a construir o viaduto, através de um protocolo assinado entre a autarquia e a Estradas de Portugal.
Paulo Moreira avançou ainda que está a ser estudada a possibilidade do mercado do Lumiar permanecer naquela infra-estrutura, através da colocação de um telhado.
Confrontados com o anúncio do vereador, os comerciantes manifestaram-se satisfeitos, afirmando que o espaço é mais arejado.
«Se calhar até era melhor ficarmos aqui, se houvesse mais luz e outro telhado», disse à Lusa, Maria Celeste, que tem uma banca no mercado há 25 anos.
Cliente do mercado há 24 anos, Maria da Conceição disse que gostava que o mercado permanecesse ali.
«O antigo mercado estava muito sujo e muito escuro. Este tem outra higiene. As bancadas não tinham condições. Este é mais limpo e mais arejado», justificou.
Presente na visita, o presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, Nuno Roque, considerou esta solução «positiva».
«Seria uma boa solução, porque o antigo mercado fica mesmo debaixo do viaduto», disse o presidente da junta de freguesia do Lumiar, adiantando que o único problema no local é a falta de estacionamento.
O vereador defendeu ainda que é preciso atrair mais pessoas aos mercados, anunciando que a autarquia está a ponderar abrir alguns mercados durante todo o dia para ganhar novos clientes.
«Os mercados têm tudo para atrair clientes: são mais baratos e os produtos são mais frescos e mais baratos», sublinhou o autarca.
Paulo Moreira escusou-se a avançar quais os mercados onde será implementado o novo horário, explicando que primeiro tem de falar com os comerciantes.
Lusa/SOL

No comments: